Psicoterapia · EMDR

Como funciona uma sessão de EMDR

Um percurso cuidadoso pelos estímulos bilaterais, pelo reprocessamento de memórias dolorosas e pelas oito etapas de uma sessão de EMDR.

Eriberto Lemos
Eriberto Lemos
Psicólogo Clínico · CRP 04/57531Publicado em 23 julho 2026Atualizado em 23 julho 20266 min de leitura
Paciente acompanha o movimento da mão do terapeuta durante uma sessão calma de EMDR em consultório acolhedor.
Os estímulos bilaterais são conduzidos com acompanhamento terapêutico e respeitam o ritmo de cada pessoa.

O EMDR foi criado pela psicóloga norte-americana Francine Shapiro no final da década de 1980. É uma abordagem psicoterapêutica voltada ao reprocessamento de memórias dolorosas e traumas.

Para compreender sua proposta, imagine que a mente funciona como um sistema de digestão para experiências e emoções. Em situações comuns, o cérebro processa o que aconteceu e guarda a experiência como aprendizado. Diante de um trauma ou de um estresse muito intenso, esse funcionamento pode ficar sobrecarregado.

EMDRA sigla vem de Eye Movement Desensitization and Reprocessing, ou Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares.

Quando o trauma permanece “vivo”

Durante um evento doloroso, a intensidade do medo ou da dor pode dificultar a integração da experiência. A amígdala, ligada à detecção de ameaça, permanece em estado de alarme, enquanto áreas responsáveis pela reflexão e contextualização podem ter seu funcionamento temporariamente prejudicado.

AmígdalaAge como um alarme de incêndio, mobilizando respostas de sobrevivência quando percebe perigo.
Córtex pré-frontalAjuda a organizar, contextualizar e compreender racionalmente o que está acontecendo.

Quando a memória não é integrada, imagens, cheiros, medos e tensões físicas podem continuar associados ao evento como se o perigo ainda estivesse presente. Por isso, um gatilho atual pode despertar reações muito intensas mesmo anos depois.

A lembrança pertence ao passado, mas o corpo e as emoções podem reagir como se tudo estivesse acontecendo novamente.

O papel do EMDR

O EMDR utiliza estímulos bilaterais — como movimentos oculares de um lado para o outro ou toques alternados — para apoiar o sistema natural de processamento da mente. Durante esse trabalho, a pessoa permanece consciente e acompanhada pelo terapeuta.

IntegraçãoOs estímulos ajudam a articular aspectos racionais, emocionais, imagéticos e corporais da experiência.
ProcessamentoA memória pode ser reorganizada e reconhecida como algo que aconteceu no passado.
Novos caminhosO cérebro pode construir associações mais adaptativas e reduzir a sensação atual de ameaça.
Alívio possívelA história não é apagada, mas a lembrança pode perder parte da carga que mantinha a dor ativa.

Os movimentos oculares lembram aqueles que acontecem durante o sono REM, fase relacionada à organização de memórias. Essa comparação ajuda a explicar a lógica do método, embora o trabalho clínico seja mais amplo e dependa de avaliação, preparo e acompanhamento profissional.

A lembrança não desapareceO objetivo não é esquecer o que aconteceu. A proposta é reduzir o impacto emocional que mantém a experiência bloqueando o presente.

Passo a passo de uma sessão de EMDR

  1. Conhecer sua história: terapeuta e paciente conversam sobre as dificuldades atuais e identificam o que precisa de cuidado.
  2. Criar uma âncora: são construídos recursos de segurança, como a imagem mental de um lugar seguro, para apoiar a estabilidade durante o processo.
  3. Escolher o alvo: uma lembrança, imagem, crença ou sensação relacionada ao sofrimento é definida como foco do trabalho.
  4. Iniciar os estímulos: a pessoa mantém atenção no alvo enquanto acompanha movimentos oculares ou outros estímulos bilaterais suaves.
  5. Cultivar uma percepção mais positiva: pensamentos dolorosos podem ser substituídos gradualmente por percepções mais realistas e fortalecedoras.
  6. Checar o corpo: terapeuta e paciente observam se ainda existem tensões ou desconfortos associados à memória.
  7. Voltar à calma: a sessão é encerrada com recursos que favorecem segurança e estabilidade.
  8. Reavaliar: no encontro seguinte, são observadas as mudanças percebidas após o processamento.

Como funciona na prática?

Durante os estímulos, o terapeuta acompanha a pessoa de perto e realiza pausas curtas. Ela pode dizer brevemente o que surgiu na mente, sem pressão para explicar cada detalhe ou reviver toda a experiência falando por horas.

O ritmo é ajustado de acordo com as respostas emocionais e corporais. Preparação, recursos de segurança e avaliação clínica fazem parte do processo e ajudam a evitar que o trabalho aconteça de maneira precipitada.

AtençãoO EMDR deve ser conduzido por profissional qualificado. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação psicológica nem acompanhamento clínico individualizado.

Conclusão

O EMDR procura ajudar o cérebro a reorganizar experiências que permanecem dolorosas no presente. A memória continua fazendo parte da história, mas pode perder a força que provoca medo, tensão e bloqueios atuais.

Trata-se de um processo cuidadoso, construído em etapas e acompanhado pelo terapeuta, para que feridas antigas possam ser abordadas com segurança e respeito aos limites de cada pessoa.

Você não precisa enfrentar esse processo sozinho

Se deseja compreender se o EMDR é adequado para o seu momento, converse com um profissional e tire suas dúvidas antes de iniciar.

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Perguntas frequentes

Não. A lembrança continua fazendo parte da história. O objetivo é reduzir sua carga emocional e ajudar o cérebro a reconhecê-la como algo do passado.

Nem sempre. Durante os estímulos, a pessoa pode comunicar brevemente o que percebe, e o terapeuta adapta o processo sem exigir uma descrição minuciosa de tudo.

A sessão inclui preparação, construção de recursos de estabilidade, acompanhamento próximo e encerramento cuidadoso. O ritmo deve respeitar os limites da pessoa.

Eriberto Lemos

Eriberto Lemos

Psicólogo Clínico · CRP 04/57531. Atendimento online e presencial para adolescentes, jovens, adultos e casais.

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